Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, mais conhecido como Di Cavalcanti, Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1897 — Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1976, foi pintor, desenhista, ilustrador e caricaturista brasileiro. Emiliano Di Cavalcanti nasceu em 6 de setembro de 1897, no Rio de Janeiro, na casa de José do Patrocínio, que era casado com uma tia do futuro pintor. Quando seu pai morreu em 1914, Di Cavalcanti obriga-se a trabalhar e faz ilustrações para a revista Fon-Fon. Antes que os trepidantes anos 20 se inaugurem, vamos encontrá-lo estudando Direito. Em 1916, transferindo-se para São Paulo, ingressa na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Segue fazendo ilustrações e começa a pintar. O jovem Di Cavalcanti frequenta o atelier do impressionista George Fischer Elpons e torna-se amigo de Mário e Oswald de Andrade. Em 1921 casa-se com Maria, filha de um primo-irmão de seu pai. Entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 idealiza e organiza a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo, criando para essa ocasião as peças promocionais do evento: catálogo e programa. Faz sua primeira viagem à Europa em 1923, permanecendo em Paris até 1925. Frequenta a Academia Ranson. Expõe em diversas cidades: Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdã e Paris. Conhece Picasso, Léger, Matisse, Eric Satie, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses. Retorna ao Brasil em 1926 e ingressa no Partido Comunista. Segue fazendo ilustrações. Faz nova viagem a Paris e cria os painéis de decoração do Teatro João Caetano no Rio de Janeiro. Os anos 30 encontram um Di Cavalcanti imerso em dúvidas quanto à sua liberdade como homem, artista e dogmas partidários. Inicia suas participações em exposições coletivas, salões nacionais e internacionais como a International Art Center em Nova Iorque. Em 1932, funda em São Paulo, com Flávio de Carvalho, Antonio Gomide e Carlos Prado, o Clube dos Artistas Modernos. Sofre sua primeira prisão em 1932 durante a Revolução Paulista. Casa-se com a pintora Noêmia Mourão. Publica o álbum A Realidade Brasileira, série de doze desenhos satirizando o militarismo da época. Em Paris, em 1938, trabalha na rádio Diffusion Française nas emissões Paris Mondial. Viaja ao Recife e Lisboa onde expõe no salão “O Século”; ao retornar é preso novamente no Rio de Janeiro. Em 1936 esconde-se na Ilha de Paquetá e é preso com Noêmia. Libertado por amigos, segue para Paris, lá permanecendo até 1940. Em 1937 recebe medalha de ouro com a decoração do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira, na Exposição de Arte Técnica, em Paris. Com a iminência da Segunda Guerra deixa Paris e retorna ao Brasil, fixando-se em São Paulo. Um lote de mais de quarenta obras despachadas da Europa não chegam ao destino, extraviando-se. Passa a combater abertamente o abstracionismo através de conferências e artigos. Viaja para o Uruguai e Argentina, expondo em Buenos Aires. Conhece Zuília, que se torna uma de suas modelos preferidas. Em 1946 retorna a Paris em busca dos quadros desaparecidos; nesse mesmo ano expõe no Rio de Janeiro, na Associação Brasileira de Imprensa. Ilustra livros de Vinícius de Morais, Álvares de Azevedo e Jorge Amado. Em 1947 entra em crise com Noêmia Mourão - "uma personalidade que se basta, uma artista, e de temperamento muito complicado…". Participa com Anita Malfatti e Lasar Segall do júri de premiação de pintura do Grupo dos 19. Segue criticando o abstracionismo. Expõe na Cidade do México em 1949. É convidado e participa da I Bienal de São Paulo, 1951. Faz uma doação generosa ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, constituída de mais de quinhentos desenhos. Beryl passa a ser sua companheira. Nega-se a participar da Bienal de Veneza. Recebe a láurea de melhor pintor nacional na II Bienal de São Paulo, prêmio dividido com Alfredo Volpi. Em 1954 o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro realiza exposição retrospectiva de seus trabalhos. Faz novas exposições na Bacia do Prata, retornando a Montevidéu e Buenos Aires. Publica Viagem de minha vida. 1956 é o ano de sua participação na Bienal de Veneza e recebe o I Prêmio da Mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste. Adota Elizabeth, filha de Beryl. Seus trabalhos fazem parte de exposição itinerante por países europeus. Recebe proposta de Oscar Niemeyer para a criação de imagens para tapeçaria a ser instalada no Palácio da Alvorada; também pinta as estações para a Via-sacra da catedral de Brasília. Década de 60. Ganha Sala Especial na Bienal Interamericana do México, recebendo Medalha de Ouro. Torna-se artista exclusivo da Petite Galerie, Rio de Janeiro. Viaja a Paris e Moscou. Participa da Exposição de Maio, em Paris, com a tela Tempestade. Participa com Sala Especial na VII Bienal de São Paulo. Recebe indicação do presidente João Goulart para ser adido cultural na França, embarca para Paris e não assume por causa do golpe de 1964. Vive em Paris com Ivete Bahia Rocha, apelidada de Divina. Lança novo livro, Reminiscências líricas de um perfeito carioca e desenha jóias para Lucien Joaillier. Em 1966 seus trabalhos desaparecidos no início da década de 40 são localizados nos porões da Embaixada brasileira. Candidata-se a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas não se elege. Seu cinquentenário artístico é comemorado. Década de 70. A modelo Marina Montini é a musa da década. Em 1971 o Museu de Arte Moderna de São Paulo organiza retrospectiva de sua obra e recebe prêmio da Associação Brasileira dos Críticos de Arte. Comemora seus 75 anos no Rio de Janeiro, em seu apartamento do Catete. A Universidade Federal da Bahia outorga-lhe o título de Doutor Honoris Causa. Faz exposição de obras recentes na Bolsa de Arte e sua pintura Cinco Moças de Guaratinguetá é reproduzida em selo. Falece no Rio de Janeiro em 26 de Outubro de 1976.SEJA BEM VINDO!
Esse blog foi criado para apresentar a arte de pintores de toda parte do mundo, de todos os gêneros e de todas as épocas. Aqui a pintura encontra o seu lugar, então... QUEM É O PINTOR ?
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11 abril 2011
Di Cavalcanti
Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, mais conhecido como Di Cavalcanti, Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1897 — Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1976, foi pintor, desenhista, ilustrador e caricaturista brasileiro. Emiliano Di Cavalcanti nasceu em 6 de setembro de 1897, no Rio de Janeiro, na casa de José do Patrocínio, que era casado com uma tia do futuro pintor. Quando seu pai morreu em 1914, Di Cavalcanti obriga-se a trabalhar e faz ilustrações para a revista Fon-Fon. Antes que os trepidantes anos 20 se inaugurem, vamos encontrá-lo estudando Direito. Em 1916, transferindo-se para São Paulo, ingressa na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Segue fazendo ilustrações e começa a pintar. O jovem Di Cavalcanti frequenta o atelier do impressionista George Fischer Elpons e torna-se amigo de Mário e Oswald de Andrade. Em 1921 casa-se com Maria, filha de um primo-irmão de seu pai. Entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 idealiza e organiza a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo, criando para essa ocasião as peças promocionais do evento: catálogo e programa. Faz sua primeira viagem à Europa em 1923, permanecendo em Paris até 1925. Frequenta a Academia Ranson. Expõe em diversas cidades: Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdã e Paris. Conhece Picasso, Léger, Matisse, Eric Satie, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses. Retorna ao Brasil em 1926 e ingressa no Partido Comunista. Segue fazendo ilustrações. Faz nova viagem a Paris e cria os painéis de decoração do Teatro João Caetano no Rio de Janeiro. Os anos 30 encontram um Di Cavalcanti imerso em dúvidas quanto à sua liberdade como homem, artista e dogmas partidários. Inicia suas participações em exposições coletivas, salões nacionais e internacionais como a International Art Center em Nova Iorque. Em 1932, funda em São Paulo, com Flávio de Carvalho, Antonio Gomide e Carlos Prado, o Clube dos Artistas Modernos. Sofre sua primeira prisão em 1932 durante a Revolução Paulista. Casa-se com a pintora Noêmia Mourão. Publica o álbum A Realidade Brasileira, série de doze desenhos satirizando o militarismo da época. Em Paris, em 1938, trabalha na rádio Diffusion Française nas emissões Paris Mondial. Viaja ao Recife e Lisboa onde expõe no salão “O Século”; ao retornar é preso novamente no Rio de Janeiro. Em 1936 esconde-se na Ilha de Paquetá e é preso com Noêmia. Libertado por amigos, segue para Paris, lá permanecendo até 1940. Em 1937 recebe medalha de ouro com a decoração do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira, na Exposição de Arte Técnica, em Paris. Com a iminência da Segunda Guerra deixa Paris e retorna ao Brasil, fixando-se em São Paulo. Um lote de mais de quarenta obras despachadas da Europa não chegam ao destino, extraviando-se. Passa a combater abertamente o abstracionismo através de conferências e artigos. Viaja para o Uruguai e Argentina, expondo em Buenos Aires. Conhece Zuília, que se torna uma de suas modelos preferidas. Em 1946 retorna a Paris em busca dos quadros desaparecidos; nesse mesmo ano expõe no Rio de Janeiro, na Associação Brasileira de Imprensa. Ilustra livros de Vinícius de Morais, Álvares de Azevedo e Jorge Amado. Em 1947 entra em crise com Noêmia Mourão - "uma personalidade que se basta, uma artista, e de temperamento muito complicado…". Participa com Anita Malfatti e Lasar Segall do júri de premiação de pintura do Grupo dos 19. Segue criticando o abstracionismo. Expõe na Cidade do México em 1949. É convidado e participa da I Bienal de São Paulo, 1951. Faz uma doação generosa ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, constituída de mais de quinhentos desenhos. Beryl passa a ser sua companheira. Nega-se a participar da Bienal de Veneza. Recebe a láurea de melhor pintor nacional na II Bienal de São Paulo, prêmio dividido com Alfredo Volpi. Em 1954 o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro realiza exposição retrospectiva de seus trabalhos. Faz novas exposições na Bacia do Prata, retornando a Montevidéu e Buenos Aires. Publica Viagem de minha vida. 1956 é o ano de sua participação na Bienal de Veneza e recebe o I Prêmio da Mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste. Adota Elizabeth, filha de Beryl. Seus trabalhos fazem parte de exposição itinerante por países europeus. Recebe proposta de Oscar Niemeyer para a criação de imagens para tapeçaria a ser instalada no Palácio da Alvorada; também pinta as estações para a Via-sacra da catedral de Brasília. Década de 60. Ganha Sala Especial na Bienal Interamericana do México, recebendo Medalha de Ouro. Torna-se artista exclusivo da Petite Galerie, Rio de Janeiro. Viaja a Paris e Moscou. Participa da Exposição de Maio, em Paris, com a tela Tempestade. Participa com Sala Especial na VII Bienal de São Paulo. Recebe indicação do presidente João Goulart para ser adido cultural na França, embarca para Paris e não assume por causa do golpe de 1964. Vive em Paris com Ivete Bahia Rocha, apelidada de Divina. Lança novo livro, Reminiscências líricas de um perfeito carioca e desenha jóias para Lucien Joaillier. Em 1966 seus trabalhos desaparecidos no início da década de 40 são localizados nos porões da Embaixada brasileira. Candidata-se a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas não se elege. Seu cinquentenário artístico é comemorado. Década de 70. A modelo Marina Montini é a musa da década. Em 1971 o Museu de Arte Moderna de São Paulo organiza retrospectiva de sua obra e recebe prêmio da Associação Brasileira dos Críticos de Arte. Comemora seus 75 anos no Rio de Janeiro, em seu apartamento do Catete. A Universidade Federal da Bahia outorga-lhe o título de Doutor Honoris Causa. Faz exposição de obras recentes na Bolsa de Arte e sua pintura Cinco Moças de Guaratinguetá é reproduzida em selo. Falece no Rio de Janeiro em 26 de Outubro de 1976.13 dezembro 2010
Aloísio Magalhães
Aloísio Magalhães, Pernambuco, 5 de novembro de 1927 - Itália, 13 de junho de 1982, foi um designer gráfico e pintor brasileiro. É considerado um dos pioneiros na introdução do design moderno no Brasil, tendo ajudado a fundar a primeira escola superior de design neste país, a Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro (ESDI). É normalmente considerado pela crítica um dos mais importantes designers gráficos brasileiros do século XX. Além de designer, foi artista plástico e secretário geral do Ministério da Educação e da Cultura (MEC). Foi diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e esteve sempre ligado a questões próprias da cultura brasileira. Fundou em 1960 o escritório M+N+P em conjunto com Luiz Fernando Noronha e Artur Lício Pontual, posteriormente se transformando na atual PVDI - Programação Visual Desenho Industrial. Ao lado dos novos sócios Joaquim Redig e Rafael Rodrigues, projetou a identidade visual da Petrobrás, do IV Centenário do Rio de Janeiro. Em 1965, foi responsável pela criação da primeira logomarca da TV Globo, uma estrela de quatro pontas. Foi responsável pelo projeto gráfico das notas do cruzeiro novo (moeda adotada no país a partir de 1966). Foi também membro fundador d'O Gráfico Amador, uma private press que, através de suas experiências tipográficas, teve influência significativa sobre o moderno design gráfico brasileiro. Aloísio faleceu em Pádua, Itália em 1982, quando tomava posse como presidente da Reunião de Ministros da Cultura dos Países Latinos. Após sua morte foi editado o livro E triunfo?, registrando seu pensamento e sua ação à frente dos organismos federais de cultura.08 dezembro 2010
Hélio Oiticica
Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, 26 de julho de 1937 - Rio de Janeiro, 22 de março de 1980, foi um pintor, escultor, artista plástico e performático de aspirações anarquistas. É considerado por muitos um dos artistas mais revolucionários de seu tempo e sua obra experimental e inovadora é reconhecida internacionalmente. Neto de José Oiticica, anarquista, professor e filólogo brasileiro, autor do livro O anarquismo ao alcance de todos (1945). Em 1959, fundou o Grupo Neoconcreto, ao lado de artistas como Amilcar de Castro, Lygia Clark, Lygia Pape e Franz Weissmann. Na década de 1960, Hélio Oiticica criou o Parangolé, que ele chamava de "antiarte por excelência" e uma pintura viva e ambulante. O Parangolé é uma espécie de capa (ou bandeira, estandarte ou tenda) que só mostra plenamente seus tons, cores, formas, texturas, grafismos e textos (mensagens como “Incorporo a Revolta” e “Estou Possuido”), e os materiais com que é executado (tecido, borracha, tinta, papel, vidro, cola, plástico, corda, palha) a partir dos movimentos de alguém que o vista. Por isso, é considerado uma escultura móvel. Em 1965, foi expulso de uma mostra no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro por levar ao evento integrantes da Mangueira vestidos com parangolés. A experiência dos morros cariocas fazia parte da dimensão da sua obra. Foi também Hélio Oiticica que fez o penetrável Tropicália, que não só inspirou o nome, mas também ajudou a consolidar uma estética do movimento tropicalista na música brasileira, nos anos 1960 e 1970. Oiticica o chamava de "primeiríssima tentativa consciente de impor uma imagem "brasileira" ao contexto da vanguarda". Os penetráveis têm como pré-requisito a incursão do visitante, ou seja, os ambientes coloridos só funcionam com a presença do espectador. Outras de suas criações são os bólides, recipientes cheios de pigmento que trazem a cidade para uma mostra de arte. Um conjunto tem água da Praia de Ipanema e o asfalto da Avenida Presidente Vargas, "que espreitam o espaço" e esperando o público para detonar experiências estéticas. Em 16 de outubro de 2009, um incêndio destruiu cerca de duas mil obras do artista plástico - aproximadamente 90% do acervo (avaliado em 200 milhões de dólares), que era mantido na residência do seu irmão, no bairro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Além de quadros e dos famosos "parangolés", no local também eram guardados documentários e livros sobre o artista. Uma grande parte dos documentos de Hélio Oiticica perdidos no incêndio foram preservados pela digitalização realizada pelo Programa Hélio Oiticica, coordenado pela curadora e crítica de arte Lisette Lagnado e desenvolvido em uma parceria entre o Instituto Itaú Cultural e o Projeto Hélio Oiticica.07 dezembro 2010
Chico Anysio
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, conhecido como Chico Anysio, nasceu em Maranguape, no estado do Ceará, no dia 12 de abril de 1931, é um humorista, ator, escritor, compositor e pintor brasileiro. Ao lado de Chacrinha e Sílvio Santos, Chico é considerado um dos maiores nomes de todos os tempos da televisão brasileira. O "Show-man" é um dos maiores artistas de todos os tempos. Chico Anysio trabalhou ao lado, ou mesmo dirigindo, os maiores nomes do humor brasileiro no rádio ou na televisão, como: Paulo Gracindo, Grande Otelo, Costinha, Walter D'Ávila, Jô Soares, Renato Corte Real, Agildo Ribeiro, Ivon Curi, entre muitos outros brilhantes humoristas. Chico Anysio mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro quando tinha seis anos de idade. Iniciou no rádio na Rádio Guanabara, onde exercia várias funções: radioator, comentarista de futebol, etc. Participou do programa Papel carbono de Renato Murce. Trabalhou, na década de 1950, nas rádios "Mayrink Veiga", "Clube de Pernambuco e Clube do Brasil. Nas chanchadas da década de 50, Chico passou a escrever diálogos e, eventualmente, atuava como ator em filmes da Atlântida Cinematográfica. Na TV Rio estreou em 1957 o Noite de Gala. Em 1959, estreou o programa Só Tem Tantã, lançado por Joaquim Silvério de Castro Barbosa, mais tarde chamado de Chico Total. Além de escrever e interpretar seus próprios textos no rádio, televisão e cinema, sempre com humor fino e inteligente, Chico se aventurou com relativo destaque pelo jornalismo esportivo, teatro, literatura e pintura, além de ter composto e gravado algumas canções. Entre as canções que Chico compôs estão: Hino ao Músico, de Chico Anysio, Nancy Wanderley e Chocolate. Que foi tema de abertura do seu programa Chico Anysio Show, na TV Excelsior, TV Rio e TV Globo, e nos espetáculos teatrais, como o do Ginástico Português, no Rio, em 1974, acompanhado sempre do violonista brasileiro Manuel da Conceição, o "mão de vaca"; Rancho da Praça XI, de Chico Anysio e João Roberto Kelly. Interpretado por Dalva de Oliveira. A música fez grande sucesso no carnaval do IV Centenário do Rio de Janeiro, em fevereiro de 1965; A Fia de Chico Brito, de Chico Anysio. Um grande sucesso interpretado por Elis Regina; Rio Antigo, de Notato Buzar e Chico Anysio, gravado pela cantora Alcione.O humorista Chico Anysio é bem conhecido. Não há brasileiro que não tenha visto pelo menos um dos mais de 200 personagens criados pelo ator. Seu livro "Como Segurar Seu Casamento" também causou muita polêmica desde que foi lançado. Também atuou em filmes como Tieta do Agreste, de Cacá Diegues, no qual interpreta brilhantemente o pai da protagonista. Agora é a vez de conhecer o Chico Anysio artista plástico com sua pintura acrílica sobre tela composta por paisagens de vários países por onde passou. Chico Anysio considera ter um dom que é o de fazer outras pessoas rirem e refere-se a si mesmo como um "comediante que", ou seja, um comediante que escreve e pinta. Entretanto, leva sua pintura a sério e diz que essa será sua profissão na velhice, pois tem consciência de que chegará o dia em que não mais poderá interpretar vários de seus personagens. Suas obras são inspiradas em fotos que ele mesmo tirou durante as várias viagens que fez ao longo da vida. Na exposição, é possível encontrar desde o Arco do Triunfo, em Paris, até uma praia havaiana. Muitas paisagens de várias partes do Brasil e do mundo pintadas no estilo fauvista. Chico começou a carreira de pintor em 78, pintando marinhas e seguindo uma linha acadêmica, essencialmente técnica, aprendida com Roberto de Souza. Trocou de professor e ele o fez mudar de estrada, tornando-se fauve e, segundo ele próprio, beirando o expressionismo. Faz vários quadros de uma só vez, começando pelo céu.
"O céu determina as cores de baixo."
Chico Anysio
29 novembro 2010
Manoel Santiago
Manoel Colafante Caledônio de Assumpção Santiago, mais conhecido como Manoel Santiago, Manaus, 25 de março de 1897 - Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1987, foi um pintor, desenhista e professor brasileiro. Marido da pintora brasileira Haydéa Santiago e pai adotivo do pintor primitivo Assunção Santiago, começou seus estudos de desenho e pintura em 1903, quando mudou com a família para Belém do Pará. Aos 22 anos foi para o Rio de Janeiro. Cursou a faculdade de Direito ao mesmo tempo em que estudava na Escola Nacional de Belas Artes, onde foi aluno de grandes artistas, como Baptista da Costa e Rodolfo Chambelland. Ainda teve aulas particulares com Eliseu Visconti. De 1927 a 1932 morou em Paris em goso da bolsa oferecida pelo governo brasileiro, já que ganhou o Prêmio Viagem ao Exterior no Salão Nacional de Belas Artes. Retornando ao Brasil (1932) foi professor do Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro; integrou o renomado Núcleo Bernardelli junto com Edson Mota, Milton Dacosta, Ado Malagoli, Sílvio Pinto,José Pancetti, entre outros. Sendo mais velho e tendo maiores conhecimentos de arte, serviu como orientador aos seus companheiros nas aulas de Pintura e Desenho. Produziu os murais para o Prédio da Alfândega no Rio de Janeiro e para o extinto Instituto do Açúcar e Álcool, na mesma cidade. Participou de exposições e mostras como o Salão dos Artistas Franceses, Salão de Outono, criou e expôs o Salão Primavera, Salão Colonial dos Artistas Franceses, Salão de Inverno, Bienais paulistas, cariocas e estrangeiras, Salão Panamericano, entre outros. Recebeu os mais famosos prêmios ou menções honrosas, na Arte no Brasil e algumas no Exterior. Possui obras em diversos museus, e importantes coleções particulares, no Brasil e no Exterior. É considerado um dos mais notáveis pintores impressionista de sua geração. Era um artista com grande vigor pictórico que produziu inúmeros bons trabalhos de rara beleza, como disse o marchand brasileiro Ricardo Barradas, que foi amigo do grande artista e de sua família, frenquentando por diversas vezes, o ateliê de Santiago no Parque Guinle, no Rio de Janeiro. Ricardo Barradas, diz, ainda: " Sobre a vida do grande mestre da pintura brasileira Manoel Santiago, existem certas inverdades. Santiago, pintou até o último dia de sua vida. Parecia que o menino amazonense, tinha herdado, para toda a vida, o vigor da Grande Selva. O ar e a arte, exercitadas diariamente eram substratos essenciais cotidianos para a vida desse grande artista." Em uma justa homenagem, o antigo Museu de Manaus, chama-se hoje Museu Manoel Santiago, no Estado do Amazonas. Atualmente não existe nenhum representante legal de sua arte, assim como não existe nenhum Projeto Oficial do artista no Brasil. 15 novembro 2010
Aldo Bonadei
Aldo Cláudio Felipe Bonadei, mais conhecido por Aldo Bonadei, São Paulo, 17 de junho de 1906 — São Paulo, 16 de janeiro de 1974, foi um pintor brasileiro, e destacado integrante do Grupo Santa Helena por sua formação mais erudita. O interesse por diferentes áreas levou-o a desenvolver atividades em poesia, moda e teatro. O artista teve importante atuação, entre os anos 1930 e 1940, na consolidação da arte moderna paulista e foi um dos pioneiros no desenvolvimento da arte abstrata no Brasil. No fim da década de 50 atuou como figurinista na Companhia Nydia Lícia - Sérgio Cardoso e em dois filmes de Walter Hugo Khoury.Alfredo Volpi
Alfredo Volpi nasceu em Lucca, na Itália em 14 de abril de 1896 e morreu no Brasil, em São Paulo, 28 de maio de 1988. Foi um pintor ítalo-brasileiro considerado pela crítica como um dos artistas mais importantes da segunda geração do modernismo. Uma das características de suas obras são as bandeirinhas e os casarios. Autodidata, começou a pintar em 1911, executando murais decorativos. Em seguida, trabalhou com óleo sobre madeira, consagrando-se como mestre utilizador de têmpera sobre tela. Grande colorista, explorou através das formas, composições magníficas, de grande impacto visual. Em conjunto com Arcangelo Ianelli e Aldir Mendes de Souza formou uma tríade de exímios coloristas, foco de livro denominado 3 Coloristas, escrito por Alberto Beuttenmüller (Ed. IOB, julho de 1989). Trabalhou também como pintor decorador em residências da sociedade paulista da época, executando trabalho de decoração artística em paredes e murais. Realizou a primeira exposição individual aos 47 anos de idade. Na década de 1950 evoluiu para o abstracionismo geométrico, de que é exemplo a série de bandeiras e mastros de festas juninas. Recebeu o prêmio de melhor pintor nacional na segunda Bienal de São Paulo, em 1953. Participou da primeira Exposição de Arte Concreta, em 1956. Não pertenceu oficialmente ao Grupo Santa Helena, porém sempre ia visitar seus amigos que oficialmente participavam como Zanini e Rebolo , situado na Praça da Sé, em São Paulo. Faziam parte do Grupo Santa Helena os seguintes pintores: Aldo Bonadei, Mário Zanini, Clóvis Graciano, Fúlvio Penacchi, Rebolo e outros. Em 1927 , Volpi conheceu o seu grande amor : uma garçonete chamada Benedita da Conceição , apelidada de Judith . É quase certo que Judith tenha sido sua modelo para o quadro Mulata.11 setembro 2010
Telles Júnior
Jerônimo José Telles Júnior, Recife, 1851 - Recife, 1º de maio de 1914. Foi um pintor, desenhista e professor brasileiro. Com 16 anos mudou-se com a família para Rio Grande, onde iniciou seus estudos de pintura com Eduardo de Martino. Em 1870 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou como aprendiz no Arsenal da Marinha, ao mesmo tempo em que estudava desenho e freqüentava o Liceu de Artes e Ofícios. Logo depois voltou a Recife, e lá se interessou também pela fotografia. A partir de 1880 passou a se dedicar ao magistério na Sociedade dos Artistas, Mecânicos e Liberais e no Liceu de Artes e Ofícios de Pernambuco, do qual foi diretor, e à política, trabalhando para a melhoria das condições de vida da classe operária, elegendo-se deputado estadual em 1891. Sua obra de pintura foi finalmente reconhecida a partir do final da década de 1890, quando sua participação nos salões oficiais do Rio foi contemplada com medalha de ouro. Teles Júnior teve predileções, cuja obra oferece uma repetição de motivos permanentes expressos numa particular visão, orientada para um realismo atingindo às vezes é certo e, lamentavelmente, a aridez fastidiosa e desagradável de um documento. E, o que é pior, um documento de paisagem apenas. No entanto, esta repetição de motivos permanentes, esta insistência de pintar coqueiros, caracterizando-o como pintor do campo, para quem as edificações (mesmo quando antigas e pitorescas) e os tipos populares, o homem em suma, eram quase que inexistentes, coloca-o num plano superior aos pintores do seu tempo e mesmo superior à quase totalidade dos pintores de hoje. Porque nesta insistência está a compreensão identificadora de uma paisagem característica de uma região, está a representação do cenário de uma vida social em início de formação apreendidas num relance de valores emotivos. E Teles Júnior será por isso mais tarde, como Franz Post já é para os nossos dias, uma fonte curiosa de sugestões a se manifestar nas artes decorativas e aplicadas e os seus futuros animadores terão nela uma companhia amável e encantadora. A esta quase lírica insistência no reproduzir o mais interessante elemento de nossa paisagem, aquele que empresta à massa verde da folhagem uma vibração intensa, teria ele fornecido mais beleza e mais harmonia se realizasse uma obra de interpretação livre, um conjunto de imprevistos e incidentes caprichosos. Uma surpresa. Porque a arte de Teles Júnior não surpreende. Nem a natureza, nem ao observador. A ele faltava a inquietação de um Césanne, de um Signac, ou de um Gauguin. Era calmo, sereno, contemplativo; faltava-lhe a pupila aguda de um Césanne esperando que os primeiros raios de luz do dia a nascer penetrassem no interior da Catedral de S. Giorgio, em Veneza, para sentir todo aquele interior deslumbrante reviver, surgir da sombra envolvente tomando novas formas que só ele àquela hora surpreendeu. Diante das telas do pintor pernambucano não se tem a revelação de um temperamento único, capaz de produzir um grande entusiasmo; tem-se sim uma sensação de doçura e suavidade notável, como a de aflição e tortura, nos quadros do seu discípulo Valfrido Mauricéa. Do que ficou dito acima não se conclua porém que a obra de Teles Júnior foi monótona; pelo contrário, é muito raro ter-se em pintura um conjunto de tão variadas impressões; mas impressões verdadeiras, profundas, que penetram profundamente a sua sensibilidade para o esejo de reproduzi-las numa como desconfiança da execução, numa insatisfação amorosa e ibrante. Assim ele pintou de um mesmo trecho de caminho, num intervalo de quatro anos, dois aspectos, fez da ação do vento nos coqueiros motivo para mais de um quadro, o ritmo isolado e altivo dos visgueiros altos, senhoriais, é tratado também por ele com freqüência, como ainda a entrada do porto do Recife, que pintou diversas vezes. Assim, esta freqüência não resvalou para a monotonia, ficou dentro de um regime rítmico e agradável. Mas era apenas um pintor do campo, um amoroso do verde e do corte vermelho dos barrancos, um pintor dos subúrbios a quem o Recife – cidade em que viveu a maior parte de sua vida – a quem o Recife pitoresco do seu tempo em quase nada impressionou; à sua visão escaparam essa grande exibição de fachadas que o rio proporciona, a vida das pequenas ruas cheias de flagrantes maravilhosos, o caprichoso conjunto dos telhados, das pontes e das águas, a vida do rio com os estaleiros de alvarengas e barcaças, com as barcaças que saem barra afora, e os mangues, e a pesca nas gamboas, tudo expressões de vida pernambucana que o meu amigo Manoel Bandeira com a mesma amorosa insistência de Teles Júnior vai reunindo e colecionando e ainda dentro de uma vibração de pintura nova, intuitiva, original, sua. Repito, foi um pintor do campo e de marinhas, não praticou a natureza morta, nunca teve jeito para o retrato e mesmo para as figuras. Inabilidades que definem a sua sensibilidade – observando o valor da capacidade de visão sobre a sensibilidade e exprimindo-a numa noção de distância – que o impelia à sensação dos panoramas e que era pobre demais para atingir o efeito pitoresco de mais perto como sucede na natureza morta ou no retrato. E não lhe era estranha esta impossibilidade, esta impotência da sua arte; daí abandonar completamente o retrato, gênero de trabalho que tentou várias vezes, dedicando-se exclusivamente à paisagem; porque mesmo as marinhas não eram objeto de sua muita pedileção; muitos são os quadros de Teles Júnior, é verdade, onde há trechos de mar em que as ondas aparecem agitadas ou mansas, mas era porque ele queria pintar a praia com os coqueiros, a vida intensa dos coqueiros e perto estava o mar. Então pintava-o. Mas não foi um pintor de marinhas, um artista que pouco se preocupou com as embarcações, com o conhecimento da aparelhagem náutica, não estudou nem sentiu as variações atmosféricas no mar largo, as múltiplas disposições dos grandes céus marítimos. Se pintou marinhas não teve por elas uma verdadeira atração como Castagneto1, este originalíssimo Castagneto que vivia com os olhos postos no mar, na vida do mar. E isto muito particularmente, porque como disse acima, a sua sensibilidade ou o seu poder sensorial não surpreendia e voltava-se para um campo mais fácil, que era o horizonte limitado das matas sem imprevistos de perspectiva aérea. E não só por isso. Também porque para sentir o mar não basta viver perto dele, precisa de alguma forma ser filho de pescador como Castagneto, ter lidado com ele, ter sentido todos os seus caprichos, as suas revoltas, ou trabalhado na faina de bordo, no rude serviço de colher amarras e soltar velas. Outros motivos muito ricos de pintura que fugiram à pupila estática do pintor Teles Júnior foram as perspectivas das velhas igrejas, das velhas casas coloniais, as festas populares, religiosas, carnavalescas com um colorido de muito sabor tropical, de muita alegria. Como se olharia mais tarde, hoje mesmo, com íntima satisfação para as telas que nos descrevessem todo o ritual das procissões antigas, do antigo carnaval, as ruas cheias de gente, o vermelho e os roxos festivos dos estandartes e das bandeiras. Bons assuntos para a documentação colorida e dos quais possuímos atualmente uma descrição muito vaga na cinza dos desenhos a carvão da época. Bons assuntos e ainda hoje bem raros são os pintores que se abalançam de tratá-los, raro um Di Cavalcanti com seu Cordão, raríssimo um V. do Rego Monteiro com as suas ilustrações de lendas amazônicas onde estuda as fisionomias de nossos indígenas como Gauguin estudava as dos índios Maoris. É estranho que havendo tantos pintores no Brasil não haja um, que eu saiba, tivesse a lembrança de fixar flagrantes de uma multidão mestiça numa festa de igreja ou num baile de clube carnavalesco. Absolvamos, portanto, Teles Júnior desta falta e, ainda mais, porque não a cometeu para fazer uma obra fracionária e incaracterística, como muitos trazem na sua bagagem artística, misturadamente, as pontes de Paris, os canais de Veneza, os igarapés do Amazonas e até os jardinzinhos de capital paulista.26 agosto 2010
Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral, Capivari, 1 de setembro de 1886 — São Paulo, 17 de janeiro de 1973, foi uma pintora e desenhista brasileira e uma das figuras centrais da pintura brasileira e da primeira fase do movimento modernista brasileiro, ao lado de Anita Malfatti. Seu quadro Abaporu, de 1928, inaugura o movimento antropofágico nas artes plásticas. Nascida na Fazenda São Bernardo, no interior de São Paulo, era filha de José Estanislau do Amaral Filho e de Lydia Dias de Aguiar do Amaral, e neta de José Estanislau do Amaral, cognominado “o milionário” em virtude da imensa fortuna acumulada em fazendas do interior paulista. Seu pai herdou a fortuna e diversas fazendas, onde Tarsila e seus sete irmãos passaram a infância. Desde criança, fazia uso de produtos importados franceses e foi educada conforme o gosto do tempo. Sua primeira mestra, a belga Mlle. Marie van Varemberg d’Egmont, ensinou-lhe a ler, escrever, bordar e falar francês. Sua mãe passava horas ao piano e contando histórias dos romances que lia às crianças. Seu pai recitava versos em francês, retirados dos numerosos volumes de sua biblioteca. Tarsila do Amaral estudou em São Paulo, em colégio de freiras do bairro de Santana e no Colégio Sion. E completou os estudos em Barcelona, na Espanha, no Colégio Sacré-Coeur, onde venceu vários concursos de ortografia. Desde cedo a pequena bela jovem interessava-se pela arte. Ao chegar da Europa, em 1904, casou-se com André Teixeira Pinto Rosa. Logo o primeiro casamento da artista chegou ao fim. A diferença cultural do casal era grande. O marido se opunha ao desenvolvimento artístico de Tarsila, que se separou e conseguiu a anulação do casamento anos depois. Começou a aprender pintura em 1917, com Pedro Alexandrino Borges Pedro Alexandrino. Mais tarde, estuda com o alemão George Fischer Elpons. Em 1920, viaja a Paris e frequenta a Academia Julian, onde desenhava nus e modelos vivos intensamente. Também estudou na Academia de Emile Renard. Apesar de ter tido contato com as novas tendências e vanguardas, Tarsila somente aderiu às ideias modernistas ao voltar ao Brasil, em 1922. Numa confeitaria paulistana, foi apresentada por Anita Malfatti aos modernistas Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Esses novos amigos passaram a frequentar seu atelier, formando o Grupo dos Cinco (Arte Moderna Brasileira). Em janeiro de 1923, na Europa , Tarsila se uniu a Oswald de Andrade e o casal viajou por Portugal e Espanha. De volta a Paris, estudou com os artistas cubistas: frequentou a Academia de Lhote, conheceu Pablo Picasso e tornou-se amiga do pintor Fernand Léger, visitando a academia desse mestre do cubismo, de quem Tarsila conservou, principalmente, a técnica lisa de pintura e certa influência do modelado legeriano. Em 1924, em meio à uma viagem de "redescoberta do Brasil" com os modernistas brasileiros e com o poeta franco-suíço Blaise Cendrars, Tarsila iniciou sua fase artística “Pau-Brasil”, dotada de cores e temas acentuadamente tropicais e brasileiros, onde surgem os "bichos nacionais"(mencionados em poema por Carlos Drummond de Andrade), a exuberância da fauna e da flora brasileira, as máquinas, trilhos, símbolos da modernidade urbana.
Casou-se com Oswald de Andrade em 1926 e, no mesmo ano, realizou sua primeira exposição individual, na Galeria Percier, em Paris. Em 1928, Tarsila pinta o Abaporu, cujo nome de origem indígena significa "homem que come carne humana", obra que originou o Movimento Antropofágico, idealizado pelo seu marido. A Antropofagia propunha a digestão de influências estrangeiras, como no ritual canibal (em que se devora o inimigo com a crença de poder-se absorver suas qualidades), para que a arte nacional ganhasse uma feição mais brasileira. Em julho de 1929, Tarsila expõe suas telas pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, em virtude da quebra da Bolsa de Nova York e da consequente crise econômica, Tarsila e sua família de fazendeiros sentem no bolso os efeitos da crise do café. Ainda em 1929, Oswald de Andrade deixou Tarsila para ficar com a revolucionária Pagu, pseudônimo de Patrícia Galvão. Em 1930, Tarsila conseguiu o cargo de conservadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Deu início à organização do catálogo da coleção do primeiro museu de arte paulista. Porém, com o advento de Getúlio Vargas e com a queda de Júlio Prestes, perdeu o cargo. Em 1931, vendeu alguns quadros de sua coleção particular para poder viajar à União Soviética, com seu novo companheiro, o médico nordestino Osório César, que ajudaria Tarsila a se adaptar às diferentes formas de pensamento políticos e sociais. O casal viajou a Moscou, Leningrado, Odessa, Constantinopla, Belgrado e Berlim. Logo estaria novamente em Paris, onde sensibilizou-se com os problemas da classe operária. Sem dinheiro, trabalhou como operária de construção, pintora de paredes e portas. Logo consegue o dinheiro necessário para voltar ao Brasil. No Brasil, por participar de reuniões políticas de esquerda e pela sua chegada após viagem à URSS, Tarsila é considerada suspeita e é presa, acusada de subversão. Em 1933, ao pintar o quadro “Operários”, a artista passa por uma fase de temática mais social, da qual são exemplos as telas Operários e Segunda Classe. Em meados dos anos 30, o escritor Luís Martins, vinte anos mais jovem que Tarsila, passa a ser seu companheiro constante. A partir da década de 40, Tarsila passa a pintar retomando estilos de fases anteriores. Expõe nas 1ª e 2ª Bienais de São Paulo e ganha uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em 1960. É tema de sala especial na Bienal de São Paulo de 1963 e, no ano seguinte, apresenta-se na 32ª Bienal de Veneza. Em 1965, foi submetida a uma cirurgia de coluna que a deixou paralítica, permanecendo em cadeira de rodas. Em 1966, Tarsila perdeu sua única filha, Dulce, que faleceu de um ataque de diabetes. Nesses tempos difíceis, Tarsila declara, em entrevista, sua aproximação ao espiritismo. A partir daí, passa a vender seus quadros, doando parte do dinheiro obtido a uma instituição administrada por Chico Xavier, de quem se torna amiga. Ele a visitava, quando de passagem por São Paulo e ambos mantiveram correspondência. Tarsila do Amaral, a artista-símbolo do modernismo brasileiro, faleceu no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, em 17 de janeiro de 1973. Foi enterrada no Cemitério da Consolação de vestido branco, conforme seu desejo.
Casou-se com Oswald de Andrade em 1926 e, no mesmo ano, realizou sua primeira exposição individual, na Galeria Percier, em Paris. Em 1928, Tarsila pinta o Abaporu, cujo nome de origem indígena significa "homem que come carne humana", obra que originou o Movimento Antropofágico, idealizado pelo seu marido. A Antropofagia propunha a digestão de influências estrangeiras, como no ritual canibal (em que se devora o inimigo com a crença de poder-se absorver suas qualidades), para que a arte nacional ganhasse uma feição mais brasileira. Em julho de 1929, Tarsila expõe suas telas pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, em virtude da quebra da Bolsa de Nova York e da consequente crise econômica, Tarsila e sua família de fazendeiros sentem no bolso os efeitos da crise do café. Ainda em 1929, Oswald de Andrade deixou Tarsila para ficar com a revolucionária Pagu, pseudônimo de Patrícia Galvão. Em 1930, Tarsila conseguiu o cargo de conservadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Deu início à organização do catálogo da coleção do primeiro museu de arte paulista. Porém, com o advento de Getúlio Vargas e com a queda de Júlio Prestes, perdeu o cargo. Em 1931, vendeu alguns quadros de sua coleção particular para poder viajar à União Soviética, com seu novo companheiro, o médico nordestino Osório César, que ajudaria Tarsila a se adaptar às diferentes formas de pensamento políticos e sociais. O casal viajou a Moscou, Leningrado, Odessa, Constantinopla, Belgrado e Berlim. Logo estaria novamente em Paris, onde sensibilizou-se com os problemas da classe operária. Sem dinheiro, trabalhou como operária de construção, pintora de paredes e portas. Logo consegue o dinheiro necessário para voltar ao Brasil. No Brasil, por participar de reuniões políticas de esquerda e pela sua chegada após viagem à URSS, Tarsila é considerada suspeita e é presa, acusada de subversão. Em 1933, ao pintar o quadro “Operários”, a artista passa por uma fase de temática mais social, da qual são exemplos as telas Operários e Segunda Classe. Em meados dos anos 30, o escritor Luís Martins, vinte anos mais jovem que Tarsila, passa a ser seu companheiro constante. A partir da década de 40, Tarsila passa a pintar retomando estilos de fases anteriores. Expõe nas 1ª e 2ª Bienais de São Paulo e ganha uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em 1960. É tema de sala especial na Bienal de São Paulo de 1963 e, no ano seguinte, apresenta-se na 32ª Bienal de Veneza. Em 1965, foi submetida a uma cirurgia de coluna que a deixou paralítica, permanecendo em cadeira de rodas. Em 1966, Tarsila perdeu sua única filha, Dulce, que faleceu de um ataque de diabetes. Nesses tempos difíceis, Tarsila declara, em entrevista, sua aproximação ao espiritismo. A partir daí, passa a vender seus quadros, doando parte do dinheiro obtido a uma instituição administrada por Chico Xavier, de quem se torna amiga. Ele a visitava, quando de passagem por São Paulo e ambos mantiveram correspondência. Tarsila do Amaral, a artista-símbolo do modernismo brasileiro, faleceu no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, em 17 de janeiro de 1973. Foi enterrada no Cemitério da Consolação de vestido branco, conforme seu desejo.
18 janeiro 2010
Paulo Bruscky
.Paulo Bruscky, nasceu no Recife, em 1949. Iniciou suas pesquisas artísticas em pintura, desenho, gravura, áudio, vídeo e impressão em 1969, especializado em multimídia o artista já teve seus trabalhos expostos no Brasil e no exterior, em instituições como Parachute Center for Cultural Affairs no Canadá, Centro Lavoro Arte em Milão e Small Press Archive em Antuérpia na Bélgica. Em 1981, recebeu um Guggenheim Fellowship para investigações de artes visuais, entre Holanda e Estados Unidos e em 1983, o 1º Premio Internazionale Andrea del Sartó, na Itália. Há trabalhos seus em acervos como Museu de Arte Moderna no México, MAC/USP em São Paulo, Wichita Art Museum nos Estados Unidos e no Centro Wifredo Lam em Cuba. Paulo Bruscky foi um pioneiro na aplicação artística de várias tecnologias, como gravação eletrônica, projeção de dispositivos, fac-símile, filme super-8, vídeo, xerox, off-set e mimeógrafo. Possivelmente, foi o mais entusiasta promotor da mail art no Brasil. Foi também o pioneiro da videoarte fora do eixo Rio-São Paulo.
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Almeida Júnior
.José Ferraz de Almeida Júnior nasceu no município de Itu, 8 de Maio de 1850 - Piracicaba, 13 de Novembro de 1899. Foi um pintor e desenhista brasileiro da segunda metade do século XIX. É frequentemente aclamado pela historiografia como o precursor da abordagem de temática regionalista, introduzindo assuntos até então inéditos na produção acadêmica brasileira: o amplo destaque conferido a personagens simples e anônimos e a fidedignidade com que retratou a cultura caipira, suprimindo a monumentalidade em voga no ensino artístico oficial em favor de um naturalismo. Foi certamente o pintor que melhor assimilou o legado do Realismo de Gustave Courbet e de Jean-François Millet, articulando-os ao compromisso da ideologia dos salons parisienses e estabelecendo uma ponte entre o verismo intimista e a rigidez formal do academicismo, característica essa que o tornou bastante célebre ainda em vida. De forma semelhante, sua biografia é até hoje objeto de estudo, sendo de especial interesse as histórias e lendas relativas às circunstâncias que levaram ao seu assassinato: Almeida Júnior morreu apunhalado, vítima de um crime passional. O Dia do Artista Plástico brasileiro é comemorado a 8 de Maio, data de nascimento do pintor. Almeida Júnior destacou-se em sua cidade natal como artista precoce. Seu primeiro incentivador foi o padre Miguel Correa Pacheco, quando o pintor ainda trabalhava como sineiro na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, para a qual produziu algumas obras de temática sacra. Uma coleta de fundos organizada pelo padre forneceu as condições para que o jovem artista, então com 19 anos de idade, pudesse embarcar para o Rio de Janeiro, a fim de completar seus estudos. Em 1869, Almeida Júnior encontrava-se inscrito na Academia Imperial de Belas Artes. Foi aluno de Jules Le Chevrel, Victor Meirelles e, possivelmente, Pedro Américo. Diversas crônicas relatam que seu jeito simplório e linguajar matuto causavam espanto aos membros da Academia. Após concluir o curso, Almeida Júnior optou por não concorrer ao prêmio de viagem à Europa. Retornou a Itu e abriu ateliê, passando a trabalhar como retratista e professor de desenho. Em 1876, durante uma viagem ao interior paulista, o Imperador D. Pedro II, impressionado com seu trabalho, ofereceu pessoalmente a Almeida Júnior o custeio de uma viagem a Europa, para aperfeiçoar seus estudos. No ano seguinte, um decreto de 23 de Março da Mordomia da Casa Imperial abriu um crédito de 300 francos mensais para que o pintor fosse estudar em Roma ou Paris. Em 4 de novembro de 1876, Almeida Júnior embarca no navio Panamá rumo à França, fixando residência no bairro parisiense de Montmartre. No mês seguinte, matricula-se na École National Supérieure des Beaux-Arts. Nesta instituição, foi aluno de Alexandre Cabanel e de Lequien Fils, notabilizando-se, desde muito cedo, em desenho anatômico e de ornamentos. Almeida Júnior participou de quatro edições do Salon de Paris, entre 1879 e 1882. É desse período que datam algumas de suas maiores obras-primas, como O Derrubador Brasileiro e Remorso de Judas (Salon de 1880), A Fuga para o Egito (Salon de 1881) e O Descanso do Modelo (Salon de 1882). Outras obras emblemáticas do período francês do pintor são Arredores de Paris e Arredores do Louvre, além de, possivelmente, um conjunto de dezesseis telas retratando o bairro de Montmartre, cuja localização é atualmente desconhecida. Almeida Júnior permaneceu em Paris até 1882. Nesse ano, fez uma breve viagem à Itália, onde teve contato com os irmãos Rodolfo e Henrique Bernardelli. De volta ao Brasil em 1882, Almeida Júnior realiza sua primeira mostra individual na Academia Imperial de Belas Artes, exibindo sua produção parisiense. No ano seguinte, abre seu ateliê na rua da Glória, em São Paulo, por meio do qual irá contribuir para a formação de novas gerações de pintores, dentre os quais, Pedro Alexandrino. Em São Paulo, Almeida Júnior promoveu vernissages exclusivas para a imprensa e potenciais compradores. Executou retratos de barões do café, de professores da Faculdade de Direito e de partidários do movimento republicano, além de paisagens e pinturas de gênero. Sua atuação como artista consagrado em São Paulo contribui decisivamente para o amadurecimento artístico da capital paulista. Em 1884, expõe novamente suas telas do período parisiense na 26ª Exposição Geral de Belas Artes da AIBA que foi a última e certamente a mais importante exposição realizada no período imperial. Em 1884, o pintor recebe o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa, concedido pelo governo imperial. No ano seguinte, recusa o convite de Victor Meirelles para ocupar sua vaga de professor de pintura histórica da Academia, permanecendo em São Paulo. Entre 1887 e 1896, realiza outras três viagens à Europa, a última delas em companhia de seu discípulo, Pedro Alexandrino, então agraciado com uma bolsa de estudos do governo paulista. No seu último período, Almeida Júnior irá progressivamente substituir os temas bíblicos e históricos pelas obras de temática regionalista, justamente as que lhe granjeariam no futuro sua posição de precursor do Realismo na história da arte brasileira. Em pinturas como Caipira Picando Fumo (1893), Amolação Interrompida (1894) e O Violeiro (1899), o artista revela seu desejo de aproximar-se do cotidiano do homem do interior, distanciando-se das fórmulas generalistas da pintura acadêmica e aproximando-se cada vez mais da abordagem pictórica naturalista. Não obstante sua nova orientação estilística, seu prestígio permanece inconteste na Academia, que expõe obras de sua fase regionalista (Leitura e Piquenique no Rio das Pedras, 1892) e lhe concede a medalha de ouro por A Partida da Monção (1894), exposta no Salão de 1898. Almeida Júnior é considerado um importante "pintor do nacional" por uma parcela da crítica brasileira, por retratar em muitas de suas obras o caipira paulista. Também a forma como trata seus temas, distanciando-se das alegorias românticas ou do ufanismo nacionalista histórico dos pintores da Academia, aproximando-se do ser humano comum, leva alguns críticos a traçarem uma semelhança de sua obra com a do pintor francês Gustave Courbet, artista cuja obra Almeida Júnior teria visto em suas viagens para a Europa. Também é digno de nota que na mesma época que Almeida Júnior esteve na França, o movimento impressionista estava em plena atividade, no entanto, não causou nenhuma impressão no pintor brasileiro, que não adotou nenhum elemento dele. O clareamento da paleta e a adoção da luz brasileira não o fizeram abandonar, no entanto, o rigor acadêmico com o desenho e a anatomia. O tema "O Descanso do Modelo" foi pintado quatro vezes em diferentes tamanhos; "Caipira Picando Fumo" foi pintado duas. "A Partida da Monção" foi pintada também duas vezes, uma como estudo, presente na Pinacoteca do Estado de São Paulo, e outra, a versão definitiva, presente no Museu Paulista. José Ferraz de Almeida Júnior morreu precocemente, aos 49 anos, em 13 de Novembro de 1899. Foi apunhalado em frente ao Hotel Central de Piracicaba, hoje já demolido, por José de Almeida Sampaio, seu primo e marido de Maria Laura do Amaral Gurgel, com quem o pintor manteve um relacionamento secreto por vários anos.
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"Almeida Júnior é o mais pessoal e, sem dúvida, um dos que melhor sabem expressar, com toda clareza e nitidez de um estilo à Breton, os assuntos tomados de improviso a uma página da Bíblia, da História, ou simplesmente da vida de todos os dias e de todos os homens."
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Luiz Gonzaga Duque Estrada
crítico de arte
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04 outubro 2009
Glória Barroso
.Glória Barroso, nasceu em 26 de Novembro de 1946, Glória é uma pintora, escultora, e desenhista brasileira. Filha de fazendeiros nasceu no Município de Leopoldina em Minas Gerais na Fazenda Recreio. Viajou pro Rio de Janeiro para estudar na Escola de Belas Artes da Uiversidade Federal do Rio de Janeiro, onde é formada. Deu aula arte e pintura por muitos anos. Sua pintura é autêntica, sua obra tem vida e personalidade. Glória Barroso sempre pintou por prazer, por isso não enxerga a arte como um ofício, sempre levou sua vida naturalmente, logo podemos ver em cada tela a verdadeira essência de quem vive a arte e não pela arte. A obra de Glória é atual, pois é pura sustentabilidade, retrata a vida humana em completa harmonia com a natureza. Nota-se em gestos simples quem não há a invasão, nem do homem, nem da natureza, vivem juntos os dois em agradável proporção. Na simplicidade de suas pinturas podemos notar forte influência do expressionismo, com tendência ao fauvismo, conciliação de difícil resultado. Com pinceladas únicas e precisas Glória compõe cenários reais, coisas nas quais em seu conceito tem valor, como por exemplo: uma planta, um jardim, um quintal, um objeto abandonado que um dia foi útil, uma fachada de um casario, rostos que foram vistos por sua visão, objetos essenciais para sua pintura são constantemente retratados fazendo parte de sua obra, além de sua família e sua própria imagem. Glória retrata a vida como ela deve ser e isso chamou a atenção de diversos críticos levando-a realizar diversas exposições em seu estado e no Brasil. Glória hoje reside em sua cidade natal e desempenha-se atualmente na escrita de um livro de poemas, sua outra paixão.
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28 setembro 2009
Aldir Mendes
.Aldir Mendes de Sousa, São Paulo, 17 de Maio de 1941 - 12 de Fevereiro de 2007, foi um artista plástico e médico especializado em cirurgia plástica. Autodidata, começou a expor em 1962 e desenvolveu pesquisas em vários setores da arte contemporânea, principalmente no campo da pintura. Construiu uma carreira sólida ao longo de mais de 40 anos atuando no cenário das artes plásticas do Brasil e exterior. A partir de 1969 elegeu o cafeeiro como símbolo da natureza e o representou por uma figura circular de contornos sinuosos. Do cafeeiro surgiu o cafezal, formado pela disposição regular do arbusto em fileiras. A seriação da figura levou-o à perspectiva, e sua síntese formal à geometrização. Na década de 70, desenvolveu extensa obra referenciada ao campo e à cidade. Em 1979 realizou uma exposição baseada na arquitetura de prédios, explorando o formato retangular das janelas. No ano seguinte, desenvolveu uma série de pinturas abstratas geométricas a partir da figura do retângulo. No ano de 1982 comemorou 20 anos de pintura com uma grande exposição retrospectiva no Museu de Arte Brasileira da FAAP, onde foi lançado o livro "Aldir Geometria da Cor". Na época seu tema era "Cidade X Campo", apresentando formas despojadas, ainda sob os efeitos dos trabalhos abstratos. Em 1985, apresentou a fase "Geo/Metria", que é uma síntese de sua pintura abstrata de 1980, e da paisagem rural. Utilizou, a partir de então, o retângulo em perspectiva oblíqua como símbolo, eliminando a linha do horizonte de suas paisagens. A partir de 1987 desenvolveu os trabalhos de pintura em concreto colorido, aproveitando sua expêriencia anterior na realização de murais. Propôs a horizontalização da pintura, proporcionando ao observador uma visão de cima das obras. Em 1990 apresentou a série de pinturas inspiradas no círculo cromático. No ano de 1991 voltou ao tema das cidades mostrando o conjunto "Relatividade Metropolitana". No mesmo ano, expôs com artistas abstratos geométricos brasileiros e italianos no MASP e no Museu Nacional de Belas Artes em Roma e Salerno. Participaram Corpora, Straza, Barsoti, Saciloto e Ianelli. Em 1992 completou 30 anos de pintura com uma exposição no Paço das Artes em São Paulo, e lançando o livro "Geometrie Parlanti", editado na Itália. Ainda em 1992 iniciou a série da "Trajetória e Velocidade da Cor" e da "Paisagem Subatômica". Em 1993 realizou três exposições simultâneas no Campus da Universidade de São Paulo. No Museu de Arte Brasileira da FAAP, apresentou a série "Movimento da Cor" em 1994. Em 1997, expôs com Volpi, Weissman e Ianelli no MASP, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu de Brasília, no projeto "Poetas do Espaço e da Cor". Em 1998 desenvolveu a série de pinturas denominadas "Arco - Íris", com cores claras e aéreas, reintroduzindo a linha do horizonte nos conjuntos de paisagens rurais. Em 1999 iniciou a série dos "quartetos". Em 2001 apresentou-os na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em instalação denominada "Pintura para Pisar". Comemorou 40 anos de pintura em 2003 com exposição no MASP Centro - São Paulo. Lançou o livro "Obsessão pela Cor", com textos de Frederico Moraes e Olívio Tavares de Araújo, no "Espaço Cultural Blue Life", mostrando obras que ilustravam a publicação. Nos anos de 2004 e 2005 realizou individuais em galerias do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Brasília, expondo a fase "Geometria Brasileira". Ao longo de sua carreira participou de eventos de destaque como a Bienal Internacional de São Paulo em 1967, 1969, 1971, 1973 e 1977; Bienal Ibero Americana do México, em 1987 e 1989; Bienal de Havana, Cuba, em 1991 além de diversas exposições individuais em galerias dos Estados Unidos, Itália, Portugal, França e Espanha. Em 2005 Aldir descobriu ser portador de uma grave leucemia. Em 2006 realiza a exposição "Cores do Buraco Negro", com performance da bailarina Larissa de Moraes, no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo. Debilitado pela doença não deixou de produzir, utilizando-se inclusive da doença como motivação e inspiração para suas obras através da série "Campos de Batalha", em que faz analogia à batalha celular ocorrida em seu organismo. Interrompido pelo agravamento de seu quadro clínico Aldir não chegou a expor a nova fase.
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16 setembro 2009
Cândido Portinari
Candido Torquato Portinari, Brodowski, 29 de Dezembro de 1903 - Rio de Janeiro, 6 de Fevereiro de 1962, foi um pintor brasileiro. Portinari pintou quase cinco mil obras, de pequenos esboços a gigantescos murais. Foi o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional. Nasceu numa fazenda de café, Santa Rosa, no interior de São Paulo, filho dos imigrantes italianos Giovan Battista Portinari e Domenica Torquato, que tiveram doze filhos, sendo ele o segundo. De família humilde, cursou apenas o primário, porém desde criança manifestou sua vocação artística. Aos seis anos de idade, Portinari começa a desenhar e aos nove participou durante vários meses dos trabalhos de restauração da igreja de Brodowski, ajudando os pintores italianos. Aos dez anos, desenhou o retrato de Carlos Gomes, como via numa caixa de cigarros.
Em 1918 Portinari, também chamado carinhosamente de "Candinho" pela família, viajou para São Paulo, para ingressar no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes, na qual estudou desenho e pintura, tendo como professores Rodolfo Amoedo, Batista da Costa, Lucílio de Albuquerque e Carlos Chambelland. Em 1922, Portinari executou um retrato para o Salão de Belas Artes, e ganhou medalha de bronze pelo seu trabalho.
Em 1918 Portinari, também chamado carinhosamente de "Candinho" pela família, viajou para São Paulo, para ingressar no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes, na qual estudou desenho e pintura, tendo como professores Rodolfo Amoedo, Batista da Costa, Lucílio de Albuquerque e Carlos Chambelland. Em 1922, Portinari executou um retrato para o Salão de Belas Artes, e ganhou medalha de bronze pelo seu trabalho.
Em 1928 conquistou o "Prêmio de Viagem ao Estrangeiro", da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Em 1929 Portinari partiu para a Europa, viajou pela Itália, Inglaterra, Espanha e se fixou em Paris, onde permaneceu até 1930. Ia diariamente aos museus e lá descobriu a pintura moderna. Discutia sobre arte nos cafés e não tinha quase nenhum tempo para pintar. Foi em Paris que Portinari conheceu Maria Martinelli, com quem mais tarde se casou. Em 1932, Candido Portinari expôs individualmente. Três anos depois, seu quadro Café recebeu a segunda menção honrosa da Exposição Internacional do Instituto Carnegie, nos Estados Unidos. Em 1936 pintou o seu primeiro mural, para o Monumento Rodoviário na Estrada Rio - São Paulo. Nessa época, foi nomeado professor de pintura do Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal. Em novembro de 1939 expôs 269 trabalhos no Museu Nacional de Belas-Artes. Antes havia executado três grandes painéis para o pavilhão brasileiro na Feira Mundial de Nova Iorque. No mesmo ano nasceu seu único filho, João Cândido. Seu filho João Candido Portinari hoje cuida dos diretos autorais das obras de Portinari. Em 1960 nasceu sua neta Denise, que passou a ocupar boa parte de seu tempo. Pintou muitos quadros com o retrato dela. Quando não estava com Denise, Portinari passava horas fitando o mar, sozinho. No ano seguinte escreveu um ensaio de oração para a neta Denise que ja está lá.
Em suas obras, o pintor conseguiu retratar questões sociais sem desagradar ao governo e aproximou-se da arte moderna européia sem perder a admiração do grande público. Suas pinturas se aproximam do cubismo, surrealismo e dos pintores muralistas mexicanos, sem, contudo, se distanciar totalmente da arte figurativa e das tradições da pintura. O resultado é uma arte de características modernas.
Em janeiro de 1962 sofreu nova intoxicação por chumbo, que já o atacara em 1954. Adoecido, não mais se recuperou. Nessa época, preparava uma grande exposição, com aproximadamente duzentas obras, a convite da prefeitura de Milão. Em 6 de fevereiro Portinari morreu, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava, porém cumpriu sua promessa de homenagear a sua terra e o seu povo, através da sua arte.
."Daqui fiquei vendo melhor a minha terra. Fiquei vendo Brodowski como ela é".
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Cândido Portinari
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21 agosto 2009
Adriana Varejão
.Adriana Varejão, Rio de Janeiro, 1964, é uma artista plástica brasileira contemporânea do Brasil. Sua obra tem como base o período colonial brasileiro e se inspira nos botequins cariocas e nos banheiros públicos europeus. Adriana Varejão vive e trabalha no Rio de Janeiro, realizou sua primeira exposição individual em 1988 e na mesma época participou de uma coletiva no Stedelijk Museum em Amsterdã. Participou de importantes Bienais como Veneza e São Paulo e sua obra já foi mostrada em grandes instituições internacionais como MoMA em Nova Iorque, Fundação Cartier em Paris, Centro Cultural de Belém em Lisboa, Tate Modern em Londres e Hara Museum Em Tóquio. Em 2008, foi inaugurado um pavilhão com obras suas no Centro de Arte Contemporânea Inhotim, Minas Gerais. Adriana Varejão está presente em acervos de importantes instituições, entre elas Tate Modern (Londres), Fundação Cartier (Paris), Stedelijk Museum (Amsterdã), Guggenheim (Nova Iorque) e Hara Museum (Tóquio).
Através da releitura de elementos visuais incorporados à cultura brasileira pela colonização, como a pintura de azulejos portugueses, ou a referência à crueza e agressividade da matéria nos trabalhos com “carne”, a artista discute relações paradoxais entre sensualidade e dor, violência e exuberância. Seus trabalhos mais recentes trazem referências voltadas para a arquitetura, inspirada em espaços como açougues, botequins, saunas, banheiros, piscinas etc, e abordam questões tradicionais da pintura, como cor, textura, perspectiva.
.Através da releitura de elementos visuais incorporados à cultura brasileira pela colonização, como a pintura de azulejos portugueses, ou a referência à crueza e agressividade da matéria nos trabalhos com “carne”, a artista discute relações paradoxais entre sensualidade e dor, violência e exuberância. Seus trabalhos mais recentes trazem referências voltadas para a arquitetura, inspirada em espaços como açougues, botequins, saunas, banheiros, piscinas etc, e abordam questões tradicionais da pintura, como cor, textura, perspectiva.
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18 agosto 2009
Belmiro de Almeida
Belmiro Barbosa de Almeida Júnior, Serro, Minas Gerais, 22 de Maio de 1858 - Paris, 12 de Junho de 1935. Foi pintor, desenhista, caricaturista, mosaicista, restaurador e escultor brasileiro. Começou seus estudos artísticos em 1869, com apenas 19 anos, ao estudar no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, de onde sai em 1874 para ingressar na Academia Imperial de Belas-Artes, onde estuda com mestres do porte de Agostinho José da Mota, Zeferino da Costa, Francisco de Souza Lobo e José Maria de Medeiros, formando-se em 1877. Aluno distintíssimo, revela-se desenhista de primeira ordem e fino colorista. No conturbado ambiente que se forma na Academia Imperial de Belas-Artes entre acadêmicos e modernistas, Belmiro forma neste último grupo, rebelando-se contra o defasado sistema de ensino vigente. Entre os dissidentes, estão: Eliseu Visconti, Rafael Frederico, Décio Villares, Fiúza Guimarães entre outros. A partir desse mesmo ano, a Comédia Popular publica sua primeira caricatura, assinada Bel. Faz primeira viagem a Paris em 1884, por sua própria conta. Na França, Édouard Manet (1832-1883) e Edgar Degas (1834-1917) na pintura, e Gustave Flaubert (1821-1880) e Émile Zola (1840-1902) na literatura, revolucionam o cenário artístico. No lugar certo e na hora certa, Belmiro vivencia um dos grandes momentos culturais da história. A viagem é curta, dura apenas um ano, mas Jules Lefèfre, seu mestre francês, exerce grande influência em seu estilo, o que se pode atestar no corpo de adolescentes pintados por Belmiro: “têm a mesma linearidade e sensualidade do autor de La Verité”, ensina José Roberto Teixeira Leite. Retorna ao Rio de Janeiro em 1885 e funda seu próprio jornal, o Rataplan, em 1886. Nesta época, próxima á proclamação da República, só se aceitava a pintura que contivesse fortes laços conservadores sustentados por velhos mestres da Academia brasileira. É quando surge uma geração rebelde, disposta a quebrar velhos conceitos e abrir caminhos mais animadores para a arte nacional. E nela, embalado, Belmiro pinta e expõe Arrufos em 1887 na Casa de Wilde/RJ e na Academia Imperial de Belas-Artes, uma de suas obras mais conhecidas, que se destaca pela rigorosa fatura e pelo tom de leve ironia com o qual a cena é retratada.
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